Durante a acareação entre o general Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (24), a defesa do ex-ministro da Defesa acusou o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro de alterar versões e “mentir descaradamente”.
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Segundo José Luis de Oliveira Lima, advogado de defesa de Braga Netto, o ex-ajudante de ordens apresentou uma nova contradição na acareação. Cid teria citado um terceiro lugar onde supostamente o general teria lhe entregado uma quantia em dinheiro — como parte do suposto plano de golpe de Estado.
“Primeiro ele disse que o dinheiro foi entregue em uma garagem”, declarou. “Depois, falou em um estacionamento externo, que seria uma segunda garagem. Agora, trouxe um terceiro local: a sala da ajudância de ordens. Quando perguntei se ele tinha alguma prova, ele respondeu: ‘Não, eu não tenho’. Aliás, ele não tem prova de nada.”
Ainda segundo o advogado, Braga Netto chamou Mauro Cid de “mentiroso” por duas vezes durante a acareação: “E ele abaixou a cabeça, não retrucou”.
“Ele permaneceu em silêncio o tempo todo”, prosseguiu. “É uma pena que não tenha sido gravado, porque todos veriam claramente isso. Foi oficial. É assustador o quanto ele mente. Ele se contradiz o tempo inteiro.”
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A defesa também destacou uma incoerência no depoimento de Cid sobre a suposta sacola usada para transportar dinheiro. “Ele disse que a sacola estava lacrada, mas também afirmou que o pacote tinha um formato assim… Como ele pode saber, se estava lacrada? Ele mente demais”, completou José Luis.
Delação de Cid é colocada em xeque por Google e Meta
Além das contradições durante a acareação, novos documentos entregues pelas empresas Google e Meta ao STF na noite de segunda-feira, 23, colocaram ainda mais dúvidas sobre a veracidade da delação de Cid. Segundo a defesa de Braga Netto, os ofícios das big techs “desmentem” diretamente pontos-chave dos depoimentos prestados pelo ex-ajudante de ordens.
“É simplesmente um escândalo”, afirmou. “Ele mentiu de novo. Está provado pelo ofício da Meta e está provado pelo ofício do Google. Ele mente descaradamente.”
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A sessão, convocada pelo ministro Alexandre de Moraes, faz parte das investigações sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado articulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para a defesa de Braga Netto, é preocupante que acusações tão graves estejam sustentadas por declarações consideradas frágeis e contraditórias. “Espero que, no momento adequado, fique claro que uma pessoa que mente tanto não pode sustentar uma colaboração com esse peso”, concluiu o advogado.
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