Na CCJ, relator da PEC da Segurança Pública defende autonomia dos Estados

Na CCJ, relator da PEC da Segurança Pública defende autonomia dos Estados

Ao ler seu parecer da PEC da Segurança Pública, o relator Mendonça Filho (União-PE), defendeu a autonomia dos Estados e não acatou à centralização do poder da União. O deputado retirou trecho que dava ao Executivo Federal a competência exclusiva para legislar sobre segurança e sistema penitenciário, preservando o pacto federativo.

Mendonça Filho apresentou o relatório pela supressão de trechos apresentados no texto da PEC da Segurança Pública, construído pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski: “A proposta enviada compromete os freios e os contrapesos que asseguram a proteção dos direitos fundamentais e a limitação ao arbítrio estatal”.

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O parlamentar também afirmou na sessão desta quarta-feira, 9, que as “medidas centralizadoras violam a identidade do arranjo federativo previsto para a segurança pública e devem ser inadmissíveis de pronto” e que há uma “flagrante violação dos poderes”. 

O plenário da CCJ da Câmara analisa o relatório da PEC da Segurança Pública em sessão desta quarta-feira, 9 | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Relator modifica texto original da PEC da Segurança Pública

O texto enviado pelo governo Lula foi alterado pelo relator para preservar a autonomia dos Estados, atendendo a um pedido feito pelos governadores em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. 

A principal modificação feita por Mendonça Filho foi a retirada do inciso XXXI do artigo 22, que atribuía à União a competência privativa para legislar sobre segurança pública e o sistema penitenciário: “A autonomia dos Estados é fundamental, tanto do ponto de vista legal quanto na construção de políticas públicas de segurança, que sejam efetivas combatendo na ponta a violência e o crime organizado”.

A mudança, segundo Mendonça Filho foi a única feita no texto original e atende ao princípio constitucional da autonomia dos estados, que é essencial para o funcionamento do pacto federativo no Brasil.

O relator também explicou que a centralização da segurança pública em Brasília não é viável para um país de dimensões continentais como o Brasil. “Em um país continental como o Brasil, o combate ao crime organizado não pode ficar centralizado em Brasília”, disse. “Só será possível com a cooperação efetiva entre os níveis federal, estadual e municipal.”

O relatório de Mendonça Filho agora será apreciado pela CCJ, que deverá analisar sua admissibilidade, legalidade e constitucionalidade. Caso aprovado, o projeto seguirá para a comissão especial antes de ser novamente analisado no plenário da Câmara.

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