‘Álcool ganhou mais essa’, diz filha ameaçada por pai empresário que morreu após trocar tiros com a PM

‘Álcool ganhou mais essa’, diz filha ameaçada por pai empresário que morreu após trocar tiros com a PM

Empresário atira na família, troca tiros com a PM e morre baleado em Praia Grande
Ana Cristina Ferrarini Sales de Oliveira, uma das filhas do empresário que morreu após trocar tiros com a Polícia Militar (PM), usou as redes sociais para homenagear Roseval Sales de Oliveira. Na publicação, ela disse perdoar o pai, que chegou a ameaçá-la de morte e a atirar na casa dela antes do confronto com a polícia.
“Ele era um homem incrível com muitos valores, mas infelizmente o álcool ganhou mais essa”, escreveu Ana Cristina.
O idoso morreu após ter um surto, no domingo (3), ameaçar duas filhas de morte e se trancar no apartamento dele no bairro Boqueirão. No local, ele trocou tiros com policiais e morreu.
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De acordo com o boletim de ocorrência, Ana Cristina foi uma das filhas ameaçadas por Roseval. Em depoimento à Polícia Civil, ela disse que encontrou o pai embriagado e nervoso dentro de uma padaria no bairro Tude de Bastos. No local, o idoso a ameaçou dizendo que ela iria morrer.
Ana Cristina Ferrarini Sales de Oliveira disse que perdoa o pai Roseval, que chegou a ameaçá-la antes de morrer
Redes sociais
Segundo o relato, Ana Cristina decidiu sair do estabelecimento e, momentos depois, recebeu uma ligação do marido dizendo que Roseval havia atirado contra a casa dela quando não havia ninguém no imóvel.
Ainda em depoimento, a mulher contou que os disparos efetuados pelo pai chegaram a destruir a janela do quarto do filho dela. Ana também revelou que Roseval possuía armas de fogos sem registro e já havia feito ameaças anteriormente.
Ana Cristina estava na delegacia com uma irmã, que também foi ameaçada pelo pai, quando soube sobre a presença da polícia no apartamento de Roseval. As duas foram ao local, onde descobriram sobre a troca de tiros e morte do idoso.
Roseval tinha sete filhos, sendo quatro mulheres de um dos casamentos
Arquivo Pessoal
Homenagem
Nas redes sociais, Ana Cristina publicou fotos do pai e garantiu que guardará somente as memórias boas dele, pois o amará pelo resto da vida. De acordo com ela, Roseval era um “trabalhador honesto” que amava os filhos e netos.
“Nunca prejudicou ninguém, a não ser ele mesmo. Meu pai tinha problemas com álcool e isso acabou com a vida dele literalmente. Infelizmente ele partiu assim e eu tenho certeza que onde ele está, ele está arrependido e pedindo perdão a Deus e a nós também”, escreveu.
Ainda na publicação, ela agradeceu Roseval por não ter desistido da família, pediu desculpas ao pai e disse que ele também está perdoado.
“Sentirei sua falta enquanto aqui eu estiver. Te amo pai e me desculpa por qualquer coisa, assim como eu te perdoo. Vá em paz pai, eu vou orar sempre pelo senhor”, finalizou.
Quem era?
Roseval Sales de Oliveira morreu dentro do próprio apartamento no bairro Boqueirão, em Praia Grande
Redes Sociais
Roseval Sales de Oliveira tinha 72 anos e deixou sete filhos. O idoso era proprietário de uma lanchonete na Avenida Presidente Costa e Silva, no bairro Boqueirão, e sempre incentivou a família a seguir na mesma área.
De acordo com uma das filhas, a comerciante Ana Carolina Ferrarini Sales de Oliveira, ela e as irmãs tinham comércios com o pai. Ela destacou que Roseval era um excelente pai quando estava sóbrio.
Ainda segundo a comerciante, o idoso tomava medicamentos controlados para depressão e tinha problemas com alcoolismo há anos. Como nunca aceitou tratamento, a filha explicou que ele se descontrolava quando misturava bebidas alcoólicas com a medicação.
“Sempre teve essa luta com a bebida e a transformação. Mas era só quando bebia. Não era todos os dias, não era uma coisa recorrente, mas quando acontecia, era muito grave”, disse Ana.
Ana contou que sabia que o pai tinha armas de fogo, mas com a justificativa de que era para se proteger por conta do comércio que mantinha.
Ana Carolina Ferrarini lamentou a morte do pai Roseval Sales de Oliveira
Reprodução/TV Tribuna
Relembre o caso
A PM foi acionada para uma ocorrência em que um homem teria efetuado disparos contra familiares na Rua Senador Azevedo Júnior, no bairro Tude Bastos, na noite deste domingo (3). No entanto, os agentes foram informados de que ele teria se deslocado para o apartamento dele na Avenida Marechal Maurício José Cardoso, no bairro Boqueirão, e foram até o endereço.
Na portaria do prédio, os agentes foram informados que Roseval havia chegado há poucos minutos. Segundo o relato do porteiro, o idoso estava bastante alterado e chegou a bater o carro na garagem. Os policiais, então, seguiram até o estacionamento e encontraram o veículo dele trancado com um revólver dentro.
De acordo com a PM, os agentes tentaram contato no apartamento do idoso, mas ele não respondeu. Minutos depois, ele perguntou quem era e foi informado que se tratava da PM. O idoso abriu parcialmente a porta.
Os agentes pediram para Roseval mostrar as mãos, mas ele não obedeceu. Ele tentou fechar novamente a porta, mas foi impedido por um escudo dos policiais. Desta forma, o idoso atirou duas vezes contra a equipe, que revidou. Um dos tiros disparados pelo suspeito acertou o escudo balístico dos policiais.
Encontrado morto
Caso ocorreu dentro de um prédio, no bairro Canto do Forte, em Praia Grande (SP)
Vinicius Faria/TV Tribuna
Após a troca de tiros, o suspeito fechou a porta e, a princípio, não foi possível verificar se ele foi atingido. Em seguida, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados.
Os agentes do Gate chegaram ao local e, após aproximadamente uma hora e meia da troca de tiros, os policiais invadiram o apartamento, onde encontraram o idoso caído ao chão, já morto. Durante vistoria no apartamento, os agentes localizaram facas, um rifle, calibre 44, oito munições calibre 44 e sete munições calibre 38, sendo uma deflagrada.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que as Polícias Civil e Militar investigam a morte do homem. O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial, ameaça, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, legítima defesa e homicídio tentado, na Central de Polícia Judiciária (CPJ) da cidade.
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Fonte: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2025/08/05/alcool-ganhou-mais-essa-diz-filha-ameacada-por-pai-empresario-que-morreu-apos-trocar-tiros-com-a-pm.ghtml

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