A Câmara Municipal de São Paulo incluiu na pauta da Sessão Plenária desta quinta-feira (27/2) o projeto que altera o nome da GCM (Guarda Civil Metropolitana) para Polícia Municipal. A previsão era que a proposta fosse votada na tarde de quarta-feira (26/2). Porém, como as comissões que analisam as matérias em tramitação na Casa ainda não estão instaladas, o texto não avançou.
O projeto em questão é o PLO (Projeto de Emenda à Lei Orgânica) 8/2017 – da vereadora Edir Sales (PSD) com coautoria de diversos outros parlamentares. O texto passou em primeira votação em dezembro de 2019, e agora retorna ao debate da Casa após o aval do STF. No último dia 20, o Supremo Tribunal Federal autorizou que as cidades brasileiras aprovem leis dando poder de polícia à GCM.
Nesta noite, o Plenário iniciou a segunda rodada de discussão do projeto. O debate será retomado após o Carnaval, e a votação da proposta irá aguardar a instalação das comissões. Isso porque há textos substitutivos protocolados na Casa que precisam passar pela análise dos colegiados antes de serem levados à votação pelos vereadores.
O presidente do Legislativo paulistano, vereador Ricardo Teixeira (UNIÃO), explicou que a permissão do STF foi acatada durante a avaliação de um recurso da Procuradoria da Câmara Municipal de São Paulo. O Parlamento da capital recorreu ao Poder Judiciário solicitando autorização para que a Guarda Civil Municipal possa atuar no policiamento ostensivo na capital paulista.
“Se pegarmos o dicionário, a Guarda é uma coisa e a polícia é outra. A própria população entende assim. A polícia é mais forte, pode prender. A Guarda é para guardar. Só no nome já vemos a diferença”, disse Teixeira. “É importante que a população sinta que agora há mais uma polícia. E pela população que temos, podemos passar de 25 mil homens nessa Guarda. Evidente que a cidade tem que ter recurso para isso, ninguém vai sair contratando, vai ser gradual. A população vai ter, sim, mais uma polícia armada e forte nas ruas da cidade”.
O 1° vice-presidente da Câmara, vereador João Jorge (MDB), defendeu a alteração do nome da GCM para Polícia Municipal e, consequentemente, a mudança do status da Guarda para polícia. “Dia após dia, nos últimos meses, nós estamos vendo o trabalho maravilhoso da GCM. Todos os dias eu vejo a GCM algemando traficantes, estupradores, homicidas e agressores de mulheres”.
Autora do projeto, Edir Sales falou que a proposta reconhece o trabalho da GCM. Para a vereadora, a Guarda Civil Metropolitana desempenha o papel de polícia na capital paulista há anos. “A Guarda é a nossa polícia municipal há muito tempo, desde sempre”. De acordo com a parlamentar, o PLO “é um projeto da Câmara, de todos os vereadores”.
Para o líder do governo na Câmara, vereador Fabio Riva (MDB), o projeto valoriza o trabalho da Guarda Civil. Riva explicou que o teor das discussões – sobre direitos e benefícios – não cabe a matérias que tratam da Lei Orgânica do município. “A Lei Orgânica é uma lei de diretrizes gerais, e o que está discutido, infelizmente, por alguns vereadores que apresentaram substitutivos, não é matéria de alteração de Lei Orgânica, é de Lei Ordinária”.
Riva explicou ainda que primeiramente será feita a mudança da nomenclatura da corporação, para posteriormente discutir medidas relacionadas à carreira da GCM como Polícia Municipal. “A meu ver como vereador, até porque quem vai promulgar essa decisão é o presidente da Câmara, e não o prefeito, sinto que nós perdemos a oportunidade de a cidade de São Paulo valorizar o trabalho dos procuradores desta Casa. Eles impetraram com a ação e fizeram com que essa decisão tivesse repercussão no Brasil todo, e a Câmara Municipal não votou por capricho de alguns vereadores que querem fazer palanque com a Guarda Civil Metropolitana”.
A favor do projeto, o vereador Sargento Nantes (PP) afirmou que a matéria representa uma nova realidade para a segurança pública da capital. “Nós estamos garantindo que de fato um marginal que foi pego cometendo um crime e teve uma prisão lícita, que ele vai ser julgado e condenado de maneira concreta”. Já o vereador Kenji Palumbo (PODE), que também apoia a proposta, afirmou que o texto “é importante para a população da cidade de São Paulo no que diz respeito à segurança. É um momento muito histórico”.
Líder da bancada do PT na Câmara, a vereadora Luna Zarattini (PT) entende que a discussão do projeto está sendo feita às pressas. Luna destacou que não é contra a mudança do nome da GCM, mas ela quer ampliar o escopo da proposta. Os petistas protocolaram um texto substitutivo ao PLO. “Isso é marketing político. Querem falar que mudaram o nome, que tornaram a Guarda em polícia, sem discutir os direitos. Os GCMs foram perguntados se irão ter mais direitos?”.
A liderança do PSOL, representada pelo vereador Professor Toninho Vespoli (PSOL), também não concorda com o encaminhamento da discussão do PLO. Vespoli é a favor da mudança do nome da GCM, porém o parlamentar quer incluir direitos e benefícios no texto. “Quais os benefícios que a Guarda vai ter? Vai ter aposentadoria especial? Queremos discutir isso para os guardas, porque somente mudar o nome da corporação não vai trazer benefício nenhum”.
O vereador Rubinho Nunes (UNIÃO) também protocolou um texto substitutivo ao PLO 8/2017. Para o parlamentar, o projeto “cria um apelido para a Guarda”. Rubinho completou dizendo que a GCM tem que ser chamada “categoricamente de Polícia Municipal, mas mais do que isso, os guardas precisam de prerrogativas, de assistência jurídica gratuita caso sejam levados à Corregedoria da Guarda, precisam de segurança para trabalhar, especialmente se vão para a força ostensiva”.
Favorável à alteração do nome da GCM, o vereador Lucas Pavanato (PL) também se posicionou a favor do substitutivo apresentado por Rubinho Nunes. “Se o Guarda vai correr risco de polícia, tem que ter garantias de polícia. Tem que ter proteção, tem que ter segurança jurídica”. O vereador Adrilles Jorge (UNIÃO), outro parlamentar que apoia a proposta de Rubinho Nunes, afirma que é preciso “dar garantias e direitos ao invés de dar simplesmente uma nova nomenclatura”.
STF
A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) na semana passada aconteceu devido a um recurso apresentado pela Câmara Municipal de São Paulo em 2009. À época, a Lei n° 13.866, de 1 de julho de 2004, sancionada pela então prefeita Marta Suplicy (PT), garantia à Guarda o policiamento preventivo. No entanto, na ocasião, o Ministério Público contestou a medida. A Casa recorreu da ação e agora, em 2025, o Supremo acatou o pedido do Legislativo.
De acordo com o Supremo Tribunal Federal, “o recurso que gerou a discussão questionava a decisão do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) que derrubou uma norma municipal que concedia à Guarda Civil Metropolitana o poder de fazer policiamento preventivo e comunitário e prisões em flagrante. Para o TJ-SP, o Legislativo municipal havia invadido a competência do estado ao legislar sobre segurança pública”.
Segundo ainda o STF, “as guardas municipais não têm poder de investigar, mas podem fazer policiamento ostensivo e comunitário e agir diante de condutas lesivas a pessoas, bens e serviços, inclusive realizar prisões em flagrante, respeitadas as atribuições dos demais órgãos de segurança pública”.
Sessão Ordinária
Mais cedo, em Sessão Ordinária, a Câmara Municipal de São Paulo abriu espaço para os vereadores discursarem sobre temas de livre escolha por até cinco minutos. Também à tarde, o Plenário analisou projetos de denominação vetados pela Prefeitura entre 2006 e 2024. Ao todo, 114 itens tiveram os vetos mantidos e foram arquivados.
Próxima sessão
A próxima Sessão Plenária está convocada para terça-feira (11/3) da segunda semana de março, às 15h. A Câmara Municipal de São Paulo transmite a sessão, ao vivo, por meio do Portal da Câmara, no link Plenário 1º de Maio, do canal Câmara São Paulo no YouTube e do canal 8.3 da TV aberta digital (TV Câmara São Paulo).
Assista à segunda parte da Sessão Plenária de hoje.
The post Câmara de SP inicia discussão de projeto que altera nome da GCM para Polícia Municipal appeared first on Portal da Câmara Municipal de São Paulo.
Fonte: https://www.saopaulo.sp.leg.br/blog/camara-de-sp-inicia-discussao-de-projeto-que-altera-nome-da-gcm-para-policia-municipal/

