Centrais sindicais criticam governo Lula por suspensão em conselho da Previdência

Centrais sindicais criticam governo Lula por suspensão em conselho da Previdência

Os presidentes de seis centrais sindicais brasileiras divulgaram uma nota nesta segunda-feira, 26, em que expressaram seu repúdio à decisão do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, de suspender os conselheiros indicados pelas entidades representativas dos trabalhadores e aposentados no Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS). As centrais classificaram a medida como “autoritária, antidemocrática e ilegítima”. 

O CNPS é um órgão crucial para definir as diretrizes e analisar a administração da previdência, além de examinar decisões sobre políticas da Previdência Social.

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A nota foi assinada por Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores); Miguel Torres, presidente da Força Sindical; Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores); Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Moacyr Tesch Auersvald, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores); e Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros).

“Não aceitaremos que entidades sérias e combativas sejam tratadas como organizações de fachada”, diz a nota. “As verdadeiras fraudes devem, sim, ser investigadas e punidas com rigor — mas é inadmissível que, sob esse pretexto, se criminalize todo o movimento sindical dos aposentados e trabalhadores.”

A Previdência justificou a suspensão dos conselheiros alegando envolvimento em investigação da Polícia Federal sobre fraudes no INSS

O Ministério da Previdência Social justificou a suspensão dos conselheiros afastados, afirmando que eles estavam envolvidos em uma investigação da Polícia Federal sobre fraudes no INSS. O ministério solicitou que as centrais sindicais apresentem novos nomes para ocupar os postos. No entanto, as centrais sindicais ressaltaram que não receberam nenhuma explicação formal para o afastamento, e consideraram o ato uma violação da institucionalidade e um desrespeito às representações legítimas dos trabalhadores.

O comunicado das centrais apontou que, embora as fraudes devam ser rigorosamente investigadas, não se pode usar isso como justificativa para criminalizar todo o movimento sindical. As entidades destacaram que o afastamento dos conselheiros é um ataque à democracia e aos direitos sociais. Além disso, pediram que o ministro Queiroz reconsiderasse sua decisão, argumentando que, caso contrário, ele estaria rompendo com o pacto democrático e comprometendo a legitimidade do CNPS.

O ministro Queiroz, por sua vez, afirmou que a suspensão dos conselheiros investigados não deveria ser vista como um pré-julgamento, mas sim como uma medida para permitir que os envolvidos se defendessem adequadamente, sem prejudicar os debates do CNPS. O ministro também afirmou seu desejo de manter o CNPS como um espaço democrático e plural, com a participação de diversas esferas do governo.

Além da suspensão dos conselheiros, Queiroz também ampliou a participação de outros órgãos governamentais no CNPS, substituindo representantes do Ministério da Previdência Social por conselheiros indicados pela Casa Civil, Dataprev, Ministério da Fazenda e Ministério do Planejamento e Orçamento.

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