Durante a sessão da Câmara Municipal de Itapecerica da Serra, realizada nesta terça-feira, dia 6, pelo menos quatro vereadores usaram a tribuna para criticar a postura de secretários e assessores da atual gestão do prefeito Ramon Corsini.
Apesar de reforçarem o apoio a Corsini, os parlamentares deixaram claro que não estão satisfeitos com o tratamento recebido. “Se o prefeito quiser governar sozinho, é só dizer. Agora, se quer parceria, tem que ser de mão dupla. Estamos prontos para contribuir, mas não para sermos humilhados”, disse o vereador Alex Pires.
As críticas começaram quando o vereador Mauro Cavalheiro (PSB) fez uso da palavra. Ele destacou que, embora o prefeito esteja aberto ao diálogo, o problema estaria em setores do governo que ignoram as indicações dos vereadores.
“É complicado a gente saber que nossas indicações estão sendo executadas sem sequer sermos avisados. O pedido vem da população e nós, como vereadores, representamos essa voz”, afirmou. Ele acrescentou: “É muito delicado ver em redes sociais obras sendo feitas a partir de nossos pedidos e não sermos comunicados”.
Mauro também disse que seus assessores foram desrespeitados. “Quero deixar aqui claro que eu não vou permitir que o assessor do meu gabinete também seja ‘tirado’ na rua. Eles foram acompanhar o pedido e falaram: ‘mas vocês estão vindo aqui no quintal que não é de vocês?’. Eu acho que a cidade é uma casa nossa. E se a gente vai para acompanhar o pedido é porque a gente zela para que realmente a nossa cidade seja bem cuidada”, reprovou.
Alex Pires foi o mais contundente em suas reclamações e cobrou diretamente o prefeito. “É muito triste, a gente vem defendendo, na verdade os 15 vereadores vêm defendendo, vêm acompanhando o governo, e o governo deixar acontecer essa tal situação. Isso é um desrespeito com essa casa, né?”.
O vereador continuou: “Eu espero que o prefeito não está entendendo que ele consiga governar com meia dúzia. Porque, assim, para João muito e para Pedro nada. Então peço aqui, aproveitar que o prefeito se atente. Tem coisas acontecendo que estão erradas, está dentro dessa casa. Aqui nós temos um que blindar o outro”.
Pires também relembrou uma promessa feita por Corsini. “Quando o prefeito chamou para sentar, era porque a gente ia ter o quê? Liberdade para trabalhar junto com ele. Então, tem que ser uma mão de duas vias. Se o prefeito achar que ele precisa só de meia dúzia, ele só acenar, vamos lá”.
Ainda em seu discurso, mandou um recado direto: “Até agora, bandeira branca, mas a gente não pode ser humilhado na rua. Serviço que é marcado para amanhã não é feito. Combina, não está chegando. Então, assim, e a gente está apanhando. Em momento algum, ninguém fez um videozinho, ninguém criticou o governo, porque nós sabemos que é uma luta. Mas assim, vendido eu não vou ficar. Disposição da vossa excelência, quero caminhar junto com o senhor. Bom, bom, com sua beleza”.
Ou coloca ordem, ou vai ficar complicado
O tom da sessão subiu à medida que outros vereadores também fizeram críticas. Douglas Belchior (Republicanos) classificou como lamentável o fato de “pessoas que lá atrás perderam a eleição e hoje se encontram em algumas determinadas secretarias, que muitos deles, até com todo respeito, não têm nem a capacidade de estar lá, mas como é uma prerrogativa do prefeito…”.
Belchior também criticou o chefe de gabinete, Pastor Márcio, pela falta de articulação entre o Executivo e o Legislativo. “Ontem tinha uma reunião nessa casa, aí vem a pessoa do governo, o pastor Marcio, aqui, articular o que vai fazer, o que vai acontecer, e depois muda tudo. E acaba que o secretário passa por cima de vereadores. Prefeito, ou o senhor coloca a ordem aí ou vai ficar complicado pro senhor”.
O vereador endureceu ainda mais o discurso: “Tem meia dúzia aí de puxa-saco do senhor que não sabe bater um prego na parede, e quer mandar mais que vereador. Quer fazer pauta, quer pautar. Chega dessa palhaçada! Desculpa a palavra, é uma palhaçada que está acontecendo na nossa cidade. E está revoltando não só nós, mas o município. Porque vai lá, faz um videozinho e acha que está tudo bem”.
Ao final, Belchior mandou um aviso direto ao prefeito: “O prefeito deve estar ouvindo ou algum assessor dele aqui nessa casa e [quero] dizer que se for levar pro outro lado vai achar, porque eu não sou besta de ninguém não, tá bom? E aqui nessa casa é a mesma coisa, eu falo pra todos os vereadores, eu respeito o vereador, mas do jeito que vir, vai voltar. E deixo bem claro”.
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