A entrada do Google no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) marca a primeira vez que uma big tech passa a integrar o colegiado, tradicionalmente composto de anunciantes, agências e veículos de mídia.
A adesão amplia a representatividade do órgão, que regula práticas éticas da publicidade no Brasil, agora também ao incluir plataformas digitais.
O Conar atua por meio de oito câmaras do Conselho de Ética e analisa denúncias sobre violações do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.
O colegiado pode recomendar mudanças ou a retirada de campanhas que desrespeitem as normas, com base em queixas de associados, consumidores, autoridades ou da própria instituição.
Google no Conar e contexto regulatório
A chegada do Google ocorre em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade das plataformas digitais em relação a conteúdos e anúncios. A maioria dos ministros já se posicionou a favor de que as empresas respondam mesmo antes de decisões judiciais, argumentando que lucram com a veiculação e têm conhecimento prévio dos conteúdos.
Segundo Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, a negociação para integrar o Conar vinha sendo discutida havia anos e só avançou depois de mudanças na governança do órgão. Em março, o Conar criou um novo Conselho de Conteúdo, responsável por definir as regras de autorregulação.
O grupo tem composição equilibrada entre anunciantes, agências, veículos tradicionais e plataformas digitais — uma diferença em relação ao antigo Conselho Superior, em que as plataformas tinham pouca representatividade.
Para o presidente do Conar, Sergio Pompilio, a entrada do Google reflete o crescimento da publicidade digital. “A participação das plataformas é fundamental num ecossistema de informação mais amplo”, afirmou. Outras empresas de tecnologia também foram convidadas a integrar o conselho.
Acordos e colaboração
Fábio Coelho explicou que o funcionamento do mercado digital exige abordagens específicas, devido à escala, à velocidade e à diversidade de parceiros envolvidos. “Vamos buscar melhorar continuamente as práticas de mercado”, disse.
Uma das colaborações entre Google e Conar será o uso do sistema Priority Flagger, que permite ao órgão sinalizar com agilidade possíveis violações em anúncios. Em 2024, o Google removeu mais de 200 milhões de anúncios e suspendeu 1,3 milhão de contas de anunciantes por práticas como uso indevido de marcas, distorção de informações e promoção de jogos de azar.
A empresa seguirá aplicando as próprias políticas de publicidade — em grande parte alinhadas com as diretrizes do Conar — e já participa de conselhos semelhantes nos EUA, na Europa e no Reino Unido, com normas válidas para os anúncios exibidos na busca, no YouTube e na rede de parceiros.
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